quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Resenha crítica


                                   Educação e Currículo ao longo da história
Professoras: Maria Roseli G. B. de Sá e Silvia Maria Leite de Almeida
Cursista: Vera Lúcia Marques Cavalcante

Resenha

MACEDO.Roberto Sidnei.Curriculo: campo conceito e pesquisa;5 ed. Revista e atualizada.Petrópolis, RJ : Vozes,2012.
Capitulo 2-Há história: A (a)parição do príncipe

O capitulo dessa obra disserta acerca da aparição do currículo com ênfase na argumentação de Silvio Gallo, no período da Grécia Clássica com uma divisão de conteúdos por fases das idades, como um plano de estudos. Relata brevemente sobre o surgimento na antiguidade grega e romana da preposição de Marciano Capella em uma perspectiva curricular que dominou a Idade Média em dupla reorganização: trivium ( gramática, retórica e filosofia) e o quadrivuim( aritmética, geografia, astronomia e música).Mas o faz de maneira breve, sem muitos detalhes, tornando-se necessário uma pesquisa mais a fundo em outras obras para aprofundamento na história do currículo.

A respeito dessa organização dupla Durkheim discorre sobre as diferenças existentes entre o trivium que tinha por objeto ensinar a mente, as regras as quais devem se sujeitar para pensar e expressar-se corretamente, triplo ensino formal.O quadrivium era um conjunto de conhecimento relacionados com as coisas e tornar conhecidas as realidades externas e suas leis, assim as artes que abraçava era chamada artes reales ou physica. A função de um era formar a inteligência de uma maneira geral; a outra tinha como meta enchê-la, alimentá-la. O tivium e o quadrivim se assemelham às disciplinas utilizadas nas escolas atuais, umas com mais importância que outras. As que reprovam o aluno mais importantes  e as que figuram como complemento, ou seja, menos importantes ( arte, educação física, temas transversais).

O autor suscita referências de filósofos que escreveram sobre o currículo ao longo da história da educação como artefato de poder vestido com as indumentárias adequadas às demandas de cada época. Bobbitt em sua obra The Curriculum marco na fundação do currículo veste o príncipe com roupas operárias e o concebe segundo a organização das empresas e fábricas para o contexto americano de 1918.Para melhor compreensão do texto se faz necessário ler Kliebard (Burocracia e teoria do currículo),pois descreve Bobbitt como o engenheiro especialista em eficiência que realizou uma pesquisa no intuito de levar o mundo dos negócios para a escola, com base em quatro princípios de administração cientifica: Usar toda a área da escola o tempo todo,reduzir o número de trabalhadores, eliminar gastos supérfluos e trabalhar o material bruto para que se torne em produto final para o que é mais adequado.Nesse sentido,Kliebard afirma que a criança passou a ser tratada como objeto de trabalho da engrenagem burocrática da escola\fábrica para ser modelada de acordo as necessidades especificas da sociedade. Ainda hoje a produção quantitativa e a repetição são utilizadas nas escolas, segundo ramificações do modelo curricular de Bobbitt sobre o movimento cientifico proposto por Taylor.

 Thorndike e Skinner vestem o currículo com processos condicionantes e o gerenciamento das aprendizagens que se consolidam com Jonh Dewey e seus princípios de democracia liberal. Dewey foi o maior pedagogo do século XX,segundo Cambi ( História de Pedagogia), seu pensamento pedagógico difundiu-se no mundo inteiro, pois ele além de pedagogo foi um grande filósofo e desenvolveu a lição do pragmatismo americano rumo a resultados racionalista-criticos metodológicos e ético-politico para a formação de um cidadão dotado de uma mentalidade moderna,cientifica e aberta a colaboração.A pedagogia deweyana modelo guia dentro da escola ativa -fim do século XIX até anos 30 do século XX- foi destinada a valorizar a criança como protagonista do processo educativo e opondo-se as características mais autoritárias da escola tradicional do século XIX.

Nesse contexto os discípulos dos filósofos são chamados a discussão para vestir ou despir o príncipe. Eles enfatizam três enfoques de três autores diferentes que discutem o surgimento do currículo: Nos Estados Unidos, em meados do século como objeto de massificação da sociedade industrial. Em uma universidade européia como plano estruturado de estudos, ou como qualquer indicação do que se ensina, até mesmo antes de Platão.

Quando trata da teoria critica do currículo Macedo trás Tadeu Tomas da Silva que despe o conceito de formalista, lançando seu olhar critico sobre as iniqüidades sociais e injustiças que excluem através dos atos do currículo. Para uma compreensão mais profunda sobre esse olhar de Silva é recomendado ler o livro: Documentos de identidade: uma introdução às teorias do currículo. O autor levanta indagações importante tais como: o que é uma teoria do currículo? Sobre a história das teorias do currículo, o que distingue as teorias tradicionais das criticas do currículo e estas das pós-criticas.

O autor realiza nesse capitulo, um passeio histórico em um breve e denso relato sobre o pseudo príncipe, suas vestimentas e o processo de despi-lo, considerando os diversos olhares de estudiosos de currículo como; Apple,Giroux , Mclaren e idéias de Gramsci e Paulo Freire entre outros que tratam o currículo como uma construção social em abordagens pós-critica,pós-formais e pós- estruturalistas.

A História de Pedagogia de Franco Cambi é uma obra que amplia as pinceladas de Macedo nessa capitulo possibilitando maiores conhecimentos sobre os filósofos e pedagogos que estudaram o currículo. Para Gramsci a educação  delineia-se como um processo não de crescimento natural, mas de conformação às regras sociais como um processo de socialização e tem por objetivo fazer do homem um intelectual orgânico da classe operaria, de forma que cada homem possa ser ao mesmo tempo governante e governador.
No que concerne a linha de pesquisa em currículo o texto discorre sobre a formação pela Faced/UFBA que entende o currículo como campo, pela sua complexidade, densidade e pelo poder que emana.

O texto possui linguagem metafórica e rebuscada, mas, consegue retratar a complexidade do currículo como artefato de poder desde a Idade Média. É indicado para quem deseja fazer um breve passeio pela história do currículo, e suas implicações no cenário atual.