quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Projeto de Tecnologia I: Interligando as Ações

Educação e Linguagens
Professor: Nelson de Luca Pretto
Mestranda:Vera Lúcia Marques Cavalcante

Introdução

As diversas linguagens tecnológicas se fazem necessário para divulgar as inovações nas propostas pedagógicas. Como desejo fazer uma intervenção voltada para a implementação do Currículo em uma Rede de Ensino, as TIC serão necessárias para o conhecimento, divulgação e apropriação da proposta curricular que se pretende implementar.

As Contribuições da Escola na Formação da Geração alt+tab

Ao visitar duas escolas, com o intuito de observar aspectos diversos , me deparei com situações diferentes, mas, nenhuma delas favorecia o uso das tecnologias. Em uma das escolas, o laboratório de informática, infocentro não funciona há dois anos aproximadamente, apesar de possuir os computadores em uma sala climatizada e pronta para ser utilizada. Nesse espaço encontramos um professor planejando e aproveitava ,apenas ,o ar condicionado. Alegou-se a baixa velocidade da internet e problemas com a energia para o não funcionamento do infocentro.

Em outra escola, localizada em outro município, os computadores ainda estavam encaixotados, pois o provedor foi roubado e aguardá-se que o  MEC envie outro computador. Entretanto, enquanto esperá-se a resolução da baixa velocidade da internet e do roubo do provedor,nas escolas distintos, a interação não para e continua a acontecer nos pátios, pois, nesses espaços é permitido utilizar o celular após pegá-lo na secretaria da escola, onde fica guardado durante a aula.

Mediante essa realidade, eu me questionei a respeito da atuação da escola na formação dessa geração para a interatividade, para a criticidade, para uma relação ativa com as TIC e nas redes sociais. Como contribuirão as escolas que não permitem o uso do celular na sala, que não possui bom acesso a internet, e onde os computadores permanecem embalados, para\com a geração alt+tab nos processos do exercício da cultura e relação ativa com as TIC? .

A escola possivelmente, nem se deu conta das ocupações das ruas, pela geração alt+tab,
 ( PRETTO,2013),para  reivindicações individuais e coletivas com divulgação em tempo real nos meios de comunicação.Enquanto a mídia tradicional ficava perdida e atrasada em comparação a essa geração, por vezes subestimada nas escolas, mas, que se organizam tal qual colônia de formigas, de baixo para o alto exemplificando a  autonomia coletiva,  sem a intervenção da escola.

 A escola contribuiu com esse movimento sincronizado e diversificado? Os educadores desejam se preparar para possibilitar a essas crianças/adolescentes a interação com as TIC, para que eles não permaneçam apenas como consumidores, e passem a ser produtores\remixadores de conhecimentos e atuantes ?

Consciente da grande importância das TIC para divulgar uma proposta curricular pretendo encontrar a melhor maneira de usá-las na divulgação, conhecimento, apropriação e implementação do Currículo em uma Rede de Ensino.

A Rede

No universo de possibilidade da parceria UFBA/Irecê e atendendo às necessidades emergentes dos professores, agora mais conscientes dos seus valores e possibilidades, surge a Especialização em Currículo Escolar, mais um projeto da parceria com a UFBA\Irecê, oferecido para professores e gestores da Rede. O curso possibilitou estudos e discussões sobre as teorias de currículo, tipos de currículos e, o mais importante, a construção de uma Proposta Curricular por Ciclo de Formação Humana(CFH).

 O currículo anterior da Rede Municipal de Irecê era por ciclo de aprendizagem, escolhemos evoluir do processo iniciado, para o Ciclo de Formação Humana por concordar com Roberto Sidnei Macedo quando afirma sobre os tempos subjetivos e a forma rígida no tempo das instituições, que o tempo no processo da aprendizagem não se refere apenas ao tempo cronológico, mas a uma pluralidade de tempos, que literalmente estão em jogo no cotidiano da vivencia curricular. ( MACEDO,2012,p.1014).A Lei de Diretrizes e Bases da Educação, LDB 9394\96 reza também, sobre a educação por ciclo, deixando a critério a escolha do ciclo a ser implementada.
                                                                                                       
Art. 23. A educação básica poderá organizar-se em séries anuais, períodos semestrais, ciclos, alternância regular de períodos de estudos, grupos não seriados, com base na idade, na competência e em outros critérios, ou por forma diversa de organização, sempre que o interesse do processo de apredizagem assim o recomendar.

Apesar da lei e das necessidades da educação, quase três anos se passaram desde a construção da proposta e o documento ainda não foi implementado na Rede Municipal de Ensino. A educação caminha sem norte, pois o currículo antigo não mais figura o cenário das escolas e a proposta atual continua engavetada ou apenas disponível para apreciação. Haveria riscos para a educação  durante esse tempo, passado sem o norte desse poderoso artefato educacional organizador das formações, como denomina Macedo, quais seriam os prejuízos em permitir-se a educação caminhar sem entrelaçar os conhecimentos formadores em uma rede, enquanto passa o tempo?

Macedo diz que o pensamento complexo afronta a complexidade do tempo e que não existe apenas o tempo de duas flechas, mas também o tempo que pode ser irreversível e reiterativo.( Macedo apud Macedo,2002,p.32).

Irreversível seria o tempo percorrido sem o norte instituído pelo currículo enquanto fica a educação como flechas atiradas sem um alvo a ser alcançado. Como proceder para implementar, com sucesso, o Currículo em uma Rede de Ensino, de maneira que as escolas sejam respeitadas em suas características especificas e a cultura local insira outras culturas, para que juntas percorram o mesmo caminho norteado pela proposta curricular? Como as TIC podem/devem ser utilizadas para a implementação de uma Proposta curricular em uma Rede de Ensino?   


Pequenas Intervenções

Projeto de Tecnologia I: Interligando as Ações

Justificativa:

O avanço tecnológico pode assustar os professores que invés de usá-las em prol da educação preferem proibi-la nas escolas, deixando de contribuir com essa geração que se organizam e invadem as ruas das cidades; reivindicando direitos diversos sem uma liderança especifica,evidenciando uma organização estilo bottom-up com a horizontalidade nas vontades diversas e lembrando uma colônia de formigas (Steve Jonhson),que  não carecem de um líder, pois todos são lideres de seus ideais.

Qual foi o papel da escola na organização desses jovens com firmes propósitos e organizados nos diversos lugares das aprendizagens (ruas, mídia,smartfone, comunicação, interatividade)? Os professores atuam com as TIC?

Refletindo essas indagações e mediante algumas situações emergenciais,tais como: a necessidade de socializar os planos bimestrais, feito coletivamente, os projetos realizados nas escolas, e pensando também, em incentivar a interação do professor com as TIC. Sugeriu-se na Jornada Pedagógica a criação  de um espaço de interação, no qual essas produções fossem disponibilizadas e acessada pelo grupo. Me prontifiquei em criar um blog como espaço de interação e socialização, a priori, para os professores.

Objetivos:

Incentivar a interação dos docentes com essa ferramenta de socialização e comunicação;
Socializar os projetos, atividades e planejamentos dos professores;
Oportunizar maior interação, compartilhamento e acessibilidade das ações pedagógicas ocorridas nas diversas escolas da Rede ;
Divulgar as produções dos docentes e dos discentes;
Descobrir o prazer e os benefícios da interação com essa ferramenta;
Ampliar as possibilidades de uso das TIC, progressivamente;

Metodologia

Criação de um blog no qual docentes do Ciclo II (3º e 4ª ano),da Rede de Ensino de Irecê, possam ter acesso aos planos, projetos e atividades que ocorrem nas diversas escolas.

Divulgação do Blog;

Incentivar a participação dos diversos professores desse ciclo para alimentar o espaço com as atividades pedagógicas interessantes ocorridas em sua escola;

Socialização da senha de acesso;

Referências:

MACEDO, R. S. Currículo: campo, conceito e pesquisa.Petrópolis, RJ: Vozes, 2012.

LDB – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional 8ª edição

PROPOSTA CURRICULAR PARA O MUNICÍPIO DE IRECÊ :Versão para apreciação, 2013.
Curso de Especialização em Currículo Escolar, Projeto UFBA\IRECÊ.

PRETTO, N D L. Professores-autores em rede, in SANTANA, B. et al. Recursos.

PRETTO, N D L,  Redes sociais e educação: o que quer a geração alt+tab nas ruas?Artigo submetido à Revista Educação Pública (UFMT) em outubro de 2013.

Usar o blog Trezentos em Word pres.







quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Resenha crítica


                                   Educação e Currículo ao longo da história
Professoras: Maria Roseli G. B. de Sá e Silvia Maria Leite de Almeida
Cursista: Vera Lúcia Marques Cavalcante

Resenha

MACEDO.Roberto Sidnei.Curriculo: campo conceito e pesquisa;5 ed. Revista e atualizada.Petrópolis, RJ : Vozes,2012.
Capitulo 2-Há história: A (a)parição do príncipe

O capitulo dessa obra disserta acerca da aparição do currículo com ênfase na argumentação de Silvio Gallo, no período da Grécia Clássica com uma divisão de conteúdos por fases das idades, como um plano de estudos. Relata brevemente sobre o surgimento na antiguidade grega e romana da preposição de Marciano Capella em uma perspectiva curricular que dominou a Idade Média em dupla reorganização: trivium ( gramática, retórica e filosofia) e o quadrivuim( aritmética, geografia, astronomia e música).Mas o faz de maneira breve, sem muitos detalhes, tornando-se necessário uma pesquisa mais a fundo em outras obras para aprofundamento na história do currículo.

A respeito dessa organização dupla Durkheim discorre sobre as diferenças existentes entre o trivium que tinha por objeto ensinar a mente, as regras as quais devem se sujeitar para pensar e expressar-se corretamente, triplo ensino formal.O quadrivium era um conjunto de conhecimento relacionados com as coisas e tornar conhecidas as realidades externas e suas leis, assim as artes que abraçava era chamada artes reales ou physica. A função de um era formar a inteligência de uma maneira geral; a outra tinha como meta enchê-la, alimentá-la. O tivium e o quadrivim se assemelham às disciplinas utilizadas nas escolas atuais, umas com mais importância que outras. As que reprovam o aluno mais importantes  e as que figuram como complemento, ou seja, menos importantes ( arte, educação física, temas transversais).

O autor suscita referências de filósofos que escreveram sobre o currículo ao longo da história da educação como artefato de poder vestido com as indumentárias adequadas às demandas de cada época. Bobbitt em sua obra The Curriculum marco na fundação do currículo veste o príncipe com roupas operárias e o concebe segundo a organização das empresas e fábricas para o contexto americano de 1918.Para melhor compreensão do texto se faz necessário ler Kliebard (Burocracia e teoria do currículo),pois descreve Bobbitt como o engenheiro especialista em eficiência que realizou uma pesquisa no intuito de levar o mundo dos negócios para a escola, com base em quatro princípios de administração cientifica: Usar toda a área da escola o tempo todo,reduzir o número de trabalhadores, eliminar gastos supérfluos e trabalhar o material bruto para que se torne em produto final para o que é mais adequado.Nesse sentido,Kliebard afirma que a criança passou a ser tratada como objeto de trabalho da engrenagem burocrática da escola\fábrica para ser modelada de acordo as necessidades especificas da sociedade. Ainda hoje a produção quantitativa e a repetição são utilizadas nas escolas, segundo ramificações do modelo curricular de Bobbitt sobre o movimento cientifico proposto por Taylor.

 Thorndike e Skinner vestem o currículo com processos condicionantes e o gerenciamento das aprendizagens que se consolidam com Jonh Dewey e seus princípios de democracia liberal. Dewey foi o maior pedagogo do século XX,segundo Cambi ( História de Pedagogia), seu pensamento pedagógico difundiu-se no mundo inteiro, pois ele além de pedagogo foi um grande filósofo e desenvolveu a lição do pragmatismo americano rumo a resultados racionalista-criticos metodológicos e ético-politico para a formação de um cidadão dotado de uma mentalidade moderna,cientifica e aberta a colaboração.A pedagogia deweyana modelo guia dentro da escola ativa -fim do século XIX até anos 30 do século XX- foi destinada a valorizar a criança como protagonista do processo educativo e opondo-se as características mais autoritárias da escola tradicional do século XIX.

Nesse contexto os discípulos dos filósofos são chamados a discussão para vestir ou despir o príncipe. Eles enfatizam três enfoques de três autores diferentes que discutem o surgimento do currículo: Nos Estados Unidos, em meados do século como objeto de massificação da sociedade industrial. Em uma universidade européia como plano estruturado de estudos, ou como qualquer indicação do que se ensina, até mesmo antes de Platão.

Quando trata da teoria critica do currículo Macedo trás Tadeu Tomas da Silva que despe o conceito de formalista, lançando seu olhar critico sobre as iniqüidades sociais e injustiças que excluem através dos atos do currículo. Para uma compreensão mais profunda sobre esse olhar de Silva é recomendado ler o livro: Documentos de identidade: uma introdução às teorias do currículo. O autor levanta indagações importante tais como: o que é uma teoria do currículo? Sobre a história das teorias do currículo, o que distingue as teorias tradicionais das criticas do currículo e estas das pós-criticas.

O autor realiza nesse capitulo, um passeio histórico em um breve e denso relato sobre o pseudo príncipe, suas vestimentas e o processo de despi-lo, considerando os diversos olhares de estudiosos de currículo como; Apple,Giroux , Mclaren e idéias de Gramsci e Paulo Freire entre outros que tratam o currículo como uma construção social em abordagens pós-critica,pós-formais e pós- estruturalistas.

A História de Pedagogia de Franco Cambi é uma obra que amplia as pinceladas de Macedo nessa capitulo possibilitando maiores conhecimentos sobre os filósofos e pedagogos que estudaram o currículo. Para Gramsci a educação  delineia-se como um processo não de crescimento natural, mas de conformação às regras sociais como um processo de socialização e tem por objetivo fazer do homem um intelectual orgânico da classe operaria, de forma que cada homem possa ser ao mesmo tempo governante e governador.
No que concerne a linha de pesquisa em currículo o texto discorre sobre a formação pela Faced/UFBA que entende o currículo como campo, pela sua complexidade, densidade e pelo poder que emana.

O texto possui linguagem metafórica e rebuscada, mas, consegue retratar a complexidade do currículo como artefato de poder desde a Idade Média. É indicado para quem deseja fazer um breve passeio pela história do currículo, e suas implicações no cenário atual.